Vale Tudo: Solange descobre gravidez de gêmeos e rival arma plano cruel

A reviravolta do ultrassom

Um ultrassom muda o tabuleiro de Vale Tudo: Solange (Alice Wegmann), diretora da empresa Tomorrow, descobre que está grávida de gêmeos. Ela havia decidido ser mãe solo e manter o pai em sigilo, mas sai do consultório com uma notícia que dobra a alegria e a tensão. A cena começa como uma rotina: “Está tudo bem com o meu bebê?”, pergunta Solange. O médico responde no plural — “com seus bebês” — e o silêncio vira espanto. “Eu ouvi um ‘s’?”, dispara ela, incrédula.

Renato (João Vicente de Castro), que acompanha a amiga, tenta confirmar a informação, e o médico crava: são dois. A imagem no monitor sela o choque. O clima fica mais delicado quando o profissional parabeniza Renato como se ele fosse o pai. O executivo engole seco e não corrige. Sozinhos, ele desaba: “Não sei por que fiquei quieto. Parecia mais forte do que eu… E seria grosseria cortar o médico”. A confissão vem inteira: “Talvez, lá no fundo, eu quisesse ser o pai dos seus filhos”.

A novela joga, então, a verdade no centro da trama: o pai é Afonso (Humberto Carrão), casado com Maria de Fátima (Bella Campos). A gravidez é fruto de uma noite em que Solange e Afonso se reencontraram após a volta dele de uma viagem à Europa — ele havia bebido demais, os sentimentos antigos falaram alto e a fronteira do que é certo e errado se dissolveu por algumas horas. Desde então, Solange carrega sozinha o peso e o cuidado com o segredo.

É Sardinha, amiga fiel da executiva, quem tenta colocá-la de volta no prumo: “Vai lá e conta. Ele precisa saber que tem herdeiros”. Só que a realidade de Solange é um campo minado. Afonso é um Roitman, o nome que atravessa poder, dinheiro e brigas familiares. E ele está casado com Fátima, sua antiga rival, hoje instalada no coração e na casa do herdeiro. A notícia dos gêmeos pode implodir casamentos, contratos e alianças.

O enredo engrossa quando Fátima também descobre que está grávida. Ela sempre acreditou que Afonso fosse estéril — informação plantada por Celina (Malu Galli), que mentiu sobre a suposta impossibilidade do enteado ser pai. A mentira cai por terra com a gestação de Solange. De uma hora para outra, Fátima entende que sua gravidez pode disputar lugar com outra, e que os filhos de Solange têm caminho livre para a fortuna e o sobrenome Roitman.

É a fagulha para o gesto mais sombrio da vilã. Ao perceber que Solange é diabética e depende de insulina, Fátima desenha um plano. Ela chama César (Cauã Reymond) para a ponta mais baixa desse jogo: quer que ele segure Solange na Tomorrow, enquanto usa uma chave antiga para entrar no apartamento da rival. Lá, pretende adulterar a medicação — troca sórdida que, segundo ela, faria Solange perder os bebês. Mesmo com o histórico duvidoso, César se espanta. “Isso é loucura”, reage. Ainda assim, Fátima parte para a execução e vasculha a casa até encontrar as canetas de uso diário.

O plano de Fátima e os riscos reais

O plano de Fátima e os riscos reais

Se na ficção a vilania anda sem freio, a realidade bate à porta: mexer em medicação de uma pessoa com diabetes é algo que coloca vidas em risco imediato. Em uma gravidez de gêmeos, o corpo trabalha no limite. O controle glicêmico é parte diária do cuidado — e deixar de receber insulina pode levar a picos de glicose, desidratação, mal-estar severo e até a quadros graves. Na vida real, médicos alertam que interrupções abruptas do tratamento podem ameaçar mãe e fetos em poucas horas.

Esse componente médico dá densidade à trama. Solange é uma profissional no topo, mas depende de uma rotina rígida para equilibrar trabalho, gestação e saúde. O plano de Fátima não é só uma trapaça de novela: é um ataque direto à vida de uma mulher e de dois bebês que ainda nem chegaram. É também o espelho de um tema pesado que a história sempre soube trabalhar — onde termina a ambição e começa o crime?

Vale reparar como a direção constrói o momento do ultrassom. Em vez do susto gratuito, a encenação investe em detalhes: o som do aparelho, o gel frio sobre a barriga, o monitor focado em dois pequenos contornos que mexem, e o olhar de Solange alternando entre choque e emoção. O subtexto vem com Renato: o amigo confessa um desejo que ele mesmo não sabia nomear. Em segundos, uma amizade ganha outra camada, e a novela abre uma porta para o triângulo menos óbvio da história.

Do outro lado, Fátima move suas peças com a frieza que a consagrou. A antiga mentira de Celina tem efeito dominó. Se Afonso pode ser pai, quem carrega o herdeiro legítimo da fortuna Roitman? A pergunta, simples e cruel, acerta em cheio o nervo da trama. Em Vale Tudo, herança é motor de guerra, e cada gravidez vira munição.

Nos bastidores da narrativa, algumas linhas prometem se cruzar com força nos próximos capítulos:

  • A reação de Afonso ao saber dos gêmeos de Solange — e o impacto disso no casamento com Fátima.
  • O limite de Renato: ele vira o porto seguro de Solange ou cruza a linha e assume o papel que desejou?
  • A lealdade de César: ele mantém o pacto com Fátima ou denuncia a armação ao primeiro sinal de perigo?
  • As consequências legais: adulterar medicação é um passo que pode resultar em investigação e cadeia dentro da história.
  • O peso do segredo de Celina e como essa mentira vai reescrever alianças familiares.

Para o público, a sequência é daquelas que acende debate. A novela fala de maternidade, paternidade, poder e culpa sem dourar a pílula. Não há santo em cena. Afonso tropeça no passado e precisa encarar o presente. Solange tenta proteger os filhos e a própria independência. Fátima cruza limites em nome de um lugar que ela considera seu por direito. Renato, entre o afeto e a ética, pode virar peça-chave.

E tem ainda o elemento prático que costuma pautar boas novelas: consequência. Se o plano de Fátima avança, os primeiros sinais em Solange podem ser sutis — cansaço fora do comum, mal-estar, tontura — e, de repente, algo grave. É o tipo de virada que faz o espectador trincar os dentes diante da TV, esperando que alguém perceba a tempo. Sardinha, sempre atenta, pode ser esse alguém. Ou o próprio Renato, que passou a olhar para Solange de outro jeito desde o ultrassom.

Com o jogo jogado, Vale Tudo retoma sua essência: gente real em situações-limite, onde cada escolha tem custo alto. Uma gravidez que começa como segredo vira bomba de efeito prolongado. Dois bebês entram na disputa por um sobrenome pesado. E uma vilã decide que, se não puder vencer pelo afeto, vai tentar pela crueldade. Daqui para frente, ninguém sai ileso — nem do amor, nem do poder, nem da verdade que teima em aparecer quando menos convém.

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